Mulher denuncia perseguição e ameaças de ex-colega de trabalho há quase 10 anos: 'Quero minha vida de volta'

  • 16/05/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher denuncia perseguição e ameaças de ex-colega de trabalho há quase 10 anos Uma auxiliar de escritório, de 33 anos, denuncia ser vítima de perseguição e ameaças há quase 10 anos por um ex-colega de trabalho, em Teresina. O caso mais recente foi registrado na terça-feira (12), na Casa da Mulher Brasileira, na Zona Norte da capital. Segundo a vítima, já foram feitos 24 boletins de ocorrência contra o suspeito. ⚖️ Desde 2021, o crime de perseguição (stalking) está previsto no artigo 147-A do Código Penal, com pena de seis meses a dois anos de prisão, além de multa, podendo ser aumentada quando a vítima é mulher. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp A mulher, que preferiu não se identificar, relatou que a perseguição começou em 2016, quando passou a trabalhar na mesma empresa que o homem. O comportamento dele teria se tornado agressivo em 2017. Ela afirma que ele chutava objetos no ambiente de trabalho e chegou a ameaçá-la de morte. "Ainda em 2017, ele me ameaçou de morte dentro da empresa e foi demitido logo em seguida, aí criou mais raiva de mim. Vem me perseguindo até hoje. Fiz vários boletins de ocorrência, com vários inquéritos", disse. Mesmo após sair da empresa, o suspeito teria continuado com as perseguições. A auxiliar afirma que passou a frequentar delegacias com frequência para registrar ocorrências e tentar obter proteção. "Durante esses dez anos, eu vivi e vivo dentro da delegacia, fazendo vários boletins de ocorrência, correndo pra cima e pra baixo, querendo que a Justiça seja feita e que o Ministério Público faça o que tem que ser feito para eu ter minha liberdade de volta, em paz, minha vida", afirmou. Vítima passou a gravar vídeos da perseguição Para se proteger, a vítima passou a gravar vídeos quando o suspeito aparecia no trabalho ou a seguia na rua. Em um dos registros, feito em novembro de 2024, ela mostra o momento em que retorna ao trabalho após afastamento. Segundo a auxiliar, o homem já frequentava o local mesmo sem sua presença e se aproximou ao vê-la. No vídeo, ele diz: “bom te ver depois de tanto tempo”. “Ele estava atrás de um poste, eu não tinha visto ele, quando dei fé ele estava saindo desse poste e vindo pra cima de mim, aí entrei desesperadamente no portão da empresa”, relatou. Em outro vídeo, a mulher afirma que foi seguida após sair para uma farmácia. Ela disse que acionou a polícia, mas não houve atendimento no momento. Ao todo, segundo a vítima, foram registrados 24 boletins de ocorrência, sendo 11 apenas na Zona Sul de Teresina. Ela afirma que o caso se arrasta sem solução e relata impactos na saúde e na rotina, como medo constante, dificuldades para dormir e acompanhamento psiquiátrico. A auxiliar cobra providências das autoridades. "Quero que o poder público tome providências, pois é o certo. Para isso, tenho continuamente registrado boletim de ocorrência", afirmou. Casos recentes Os episódios mais recentes ocorreram no dia 6 e na terça-feira (12). No primeiro caso, a vítima relatou que saía do trabalho, por volta das 17h42, na Zona Sul, quando foi abordada pelo suspeito. Segundo ela, o homem se aproximou por trás e sacudiu a moto em que ela estava. A mulher disse que pediu ajuda, mas não foi atendida por pessoas que estavam próximas. "No episódio do dia seis, eu pedi por ajuda, gritei por socorro, chamei ‘ladrão, socorro’, ninguém me ajudou", relatou. No dia seguinte, ela procurou a Casa da Mulher Brasileira e registrou boletim de ocorrência por perseguição. Na segunda-feira (11), voltou à delegacia para prestar esclarecimentos e pediu providências, incluindo a prisão do suspeito. Ameaça de morte Mulher denuncia perseguição e ameaças de ex-colega de trabalho há quase 10 anos em Teresina Reprodução Já na terça-feira (12), a auxiliar retornou à delegacia após uma nova ameaça. Segundo ela, o suspeito enviou uma mensagem para uma prima com a frase: “ela vai morrer”. O caso foi registrado como ameaça. A vítima afirma que tentou buscar ajuda diversas vezes, mas enfrenta dificuldades para obter apoio. "Ninguém ajuda ninguém quando se encontra nessa situação. Eu pedi por socorro, e ninguém me ajudou. Ninguém quer se envolver, essa é a verdade. Durante esses 10 anos, eu sempre fiz tudo o que está dentro da lei e vou continuar fazendo, mesmo que isso custe a minha vida", disse. A auxiliar pede providências e diz que quer retomar a rotina com segurança. "Eu só peço por justiça. Quero que ele me deixe em paz, quero minha vida de volta, quero minha segurança e a da minha família também", concluiu. O g1 apurou que, entre 2019 e julho de 2025, foram abertos pelo menos oito processos relacionados ao caso da auxiliar. Parte deles foi arquivada, e ao menos um segue em tramitação, com possibilidade de transação penal. Procurado, o Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) informou que, por meio do Núcleo de Atendimento às Vítimas (NAVI), passou a adotar medidas de acolhimento, escuta qualificada e acompanhamento psicossocial da vítima, após tomar conhecimento do caso. Segundo o órgão, também houve articulação institucional com promotorias responsáveis, levantamento de processos e comunicação sobre relatos recentes de ameaças e medidas cautelares relacionadas à investigação (leia a íntegra do comunicado). O g1 entrou em contato com a Polícia Civil, através da Casa da Mulher Brasileira, mas o órgão não quis dar detalhes sobre o caso afirmando que as investigações estão em curso. Cresce número de mulheres vítimas de perseguição O número de mulheres vítimas de perseguição cresceu 28% no Piauí. Ao todo, foram registrados 1.342 casos no estado em 2024, segundo o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025). O crime, que envolve ameaças persistentes e invasão de privacidade, apresentou aumento em relação a 2023, quando houve 1.045 notificações. A taxa desse tipo de violência chegou a 77,8 casos para cada 100 mil mulheres no Piauí em 2024. O crescimento acende um alerta para autoridades e reforça a necessidade de ações de proteção às vítimas. Além da perseguição, as ameaças contra mulheres também seguem em níveis elevados. No ano passado, 14.265 piauienses foram vítimas desse crime. Apesar de uma leve redução de 0,9% na comparação com 2023, o volume de ocorrências ainda preocupa. Para tentar interromper o ciclo de violência e garantir a segurança das vítimas, a Justiça aplica a Medida Protetiva de Urgência (MPU). O Piauí está entre os estados com maiores taxas de concessão dessas medidas no país. Mesmo assim, o descumprimento das decisões judiciais aumentou. Em 2024, foram registrados 1.512 casos de agressores que desobedeceram as medidas protetivas, um crescimento de 20,6% em relação ao ano anterior. Os dados reforçam a importância de denúncias e do fortalecimento da rede de proteção às mulheres no estado. Nota do Ministério Público O Ministério Público do Estado do Piauí, por meio do Núcleo de Atendimento às Vítimas – NAVI/MPPI, informa que, tão logo tomou conhecimento da situação envolvendo a vítima, passou a adotar medidas de acolhimento, acompanhamento e articulação institucional voltadas à proteção da ofendida e ao fortalecimento da rede de apoio. O caso chegou ao conhecimento do NAVI por meio de notícias veiculadas pela imprensa local, e encaminhamento da Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Estado do Piauí, diante de relatos de perseguição reiterada, ameaças e risco à integridade física e psicológica da vítima. Após a ciência dos fatos, o NAVI instaurou procedimento interno de acompanhamento, realizando acolhimento psicossocial e escuta qualificada da vítima, em atendimento virtual realizado pela equipe do Núcleo, com registro audiovisual e formalização nos autos próprios. Durante o atendimento, foram prestadas orientações jurídicas e institucionais acerca dos processos judiciais existentes, das medidas cautelares em vigor, dos canais adequados de comunicação de riscos e descumprimentos, bem como realizado encaminhamento para acompanhamento psicológico especializado. Também foram adotadas providências de articulação institucional, incluindo: levantamento e análise dos procedimentos judiciais e investigatórios existentes relacionados ao caso; comunicação às Promotorias de Justiça com atribuição nos feitos em tramitação; encaminhamento de informações acerca dos relatos recentes de ameaça concreta de morte e do estado de temor relatado pela vítima; ciência aos órgãos competentes acerca da existência de diversos boletins de ocorrência registrados ao longo dos anos; comunicação sobre medida cautelar deferida em processo em tramitação no 2º Juizado Especial Criminal de Teresina, ainda pendente de efetiva intimação do investigado; acompanhamento da tramitação dos processos correlatos, incluindo ação penal em que houve sentença condenatória pelo crime de perseguição. O NAVI reforça que sua atuação possui natureza de acolhimento, orientação, escuta qualificada e articulação da rede de proteção às vítimas, sem substituição das atribuições investigativas, policiais ou jurisdicionais dos órgãos competentes. O Ministério Público do Estado do Piauí reafirma seu compromisso com a proteção das vítimas, o enfrentamento à violência psicológica e à perseguição reiterada, bem como com a atuação integrada entre os órgãos do sistema de justiça e da rede de proteção. Núcleo de Atendimento às Vítimas – NAVI/MPPI Ministério Público do Estado do Piauí *Gabriely Corrêa, estagiária sob supervisão de Lucas Marreiros. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

FONTE: https://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2026/05/16/mulher-denuncia-perseguicao-piaui.ghtml


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